segunda-feira, 20 de março de 2017

A TRAJETÓRIA!

Continuando a história. Depois que meu pai faleceu que a gente mudou para um lugar mais perto da escola para os meninos estudarem, era uma casinha de sape no meio do banhado pra gente poder morar lá eu tive que canalizar a água de dentro de casa com bambu este sitio era de um fazendeiro a gente foi morar lá para trabalhar na fazenda dava uns 4 km de casa até a fazenda ,mas em vista de onde a gente morava era perto da escola. Então os meninos começaram a estudar o meu irmão mais velho sai da escola e ia pra roça, mas ele não trabalhava ele ia para vistoriar se eu estava trabalhando bem ou não, além do patrão ser um carrasco que não deixava a gente parar nem um pouquinho para tomar um fôlego tinha meu irmão também ,logo ele parou de estudar e ficou só o meu irmão do meio estudando. Mas ai minha mãe e ele puseram meu irmão do meio para trabalhar também, coitadinho saia da escola correndo de medo de chegar atrasado e apanhar e mesmo assim apanhava,coitadinho era tão magrinho que o apelido dele era gordo, dali pra frente ele também começou a ser escravizado. O patrão ainda até tinha razão em dizer que o dinheiro dele era verde mas não era capim "ou que o dinheiro dele era amarelo mas não era merda . Digamos que o patrão tinha razão. Eu trabalhava sem parar, mas eu era muito fraca e não conseguia acompanhar os adultos e acabava ficando para trás, ai o patrão já gritava morreu é meu dinheiro é verde,mas não é capim, é amarelo, mas não é merda e dizia que eu nem transpirava , que se caísse um pingo de suor meu o meu suor curava câncer de tanto que eu não valia nada . Ai meu irmão cortava galho de café e me batia porque eu não alcançava os outros. Até que o patrão mandou eu ir embora que não era pra mim aparecer mais lá para trabalhar. E era pra gente sumir de lá mudar da fazenda. Cheguei em casa nem fui eu que contei para mãe que o homem tinha mandado a gente ir embora de lá foi o meu irmão. Ai ela falou não amanhã você vai trabalha sim o que nos vamos pra onde nos vamos? Eu falei mãe eu não vou o homem mandou a gente ir embora daqui mãe . E ela disse é porque você ficou dando mama para o cabo da enxada de certo por isso ele mandou nos mudar daqui. Bom quatro horas da manhã ela me chamou para levantar arrumar as coisas e subir la na fazenda para pegar o caminhão para ir trabalhar,porque é uma fazenda muito grande e quando era longe tinha que ir de caminhão. Ela chamou eu levantei chorando arrumei as coisas e la fui eu. Quando o cara viu eu chegando ele já gritou de longe eu já não disse que não quero mais vocês na minha fazenda você não entendeu? Eu chorando disse a mãe mandou eu vir. Ele falou se manda vaza daqui. E subiu no caminhão e foi lá em casa e falou para mãe que ele não queria a gente mais lá e a mãe falou, mas onde a gente vai ? E ele disse pro inferno. . Ai tinha uma família muito boa que estava de mudança para um lugar chamado Cedrinho e eles iam trabalhar em uma cerâmica. Ai já que a mãe não ia sair de lá eu fui embora com essa gente. Mas eu não esquecia da mãe e dos meus irmãos,eu ficava pensando como eles estavam se ainda morava lá. Fiquei nove meses sem ver eles saudades me matava . O patrão era um amor de pessoa ele e a esposa dele nossa eram maravilhosos o casal. Ai um rapaz da família que eu fui embora com eles veio na fazenda visitar uma irmã dele que tinha ficado nesta fazenda e quando ele chegou e me contou que minha a mãe ainda estava morando lá nesta fazenda e eles estavam passando fome. Aquilo me doeu a alma ! Nestes nove meses eu nunca gastei um centavo eu pagava pensão para a família e guardava o resto. Ai num sábado eu vim pra casa era tempo de eleição. Cheguei na cidade fiz uma baita compra e levei pra casa comprei até brinquedos pros meninos e o Dono do supermercado que fiz compra era candidato a vereador da cidade ele levou a compra e eu perguntei se ele não voltava me pegar no domingo para eu voltar. Ele disse sim amanhã eu venho te buscar. Bom dormi lá ainda bem que o patrão não tinha visto eu lá , e eu falei pra mãe vou levar você pra lá também mãe se Deus quiser. Nossa a felicidade deles para mim foi gratificante e marcante senti a pessoa mais orgulhosa do mundo. Bom domingo chegou e como combinado o senhor do supermercado veio me buscar. Então meu irmão mais velho quis ir também trabalhar na cerâmica e eu falei você não aguenta nem adianta você ir e ele disse a eu vou sim se você aguenta eu também aguento ." Ta então vamos embora depois a gente vem buscar a mãe e os meninos e la fomos nós. Na segunda feira ele trabalhou até 11 hs depois não voltou mais. Na terça feira ele nem apareceu ai o patrão perguntou cadê seu irmão ? Eu disse ele não aguentou ,ai o patrão disse ,mas se ele não trabalhar ele não pode ficar aqui. Na quarta feira ele foi e disse para o patrão que nós tinha que ir pra casa porque uma tia nossa tinha falecido e nos tinha que ir ao velório mentiu para o patrão e ele disse tudo bem então vocês podem ir desde que sua irmã esteja aqui amanhã, e você não precisa voltar mais . Só que ele não foi embora ele disse olha você não vai trabalhar em cerâmica coisa nenhuma você vai carpir algodão tem um homem ali precisando de gente para carpir algodão. Ai minha cabeça virou uma bagunça voltar trabalhar na cerâmica naquele dia eu não podia porque ele tinha mentido que nossa tia tinha morrido e nos tinha que ir ao velório. Então ele fez eu ir carpir algodão lá para o seu Zé. E o patrão passou e viu eu trabalhando ele já tinha visto o meu irmão lá na casa que eu pagava pensão e perguntou ué sua tia não morreu nada e cade a sua irmã? Ele ia indo pra cidade nisso que ele me viu ele fez o retorno com o carro e voltou com o dinheiro que eu tinha trabalhado os dois dias . Chegou e disse olha some daqui você e aquele vagabundo do seu irmão se vocês não sumir daqui eu chamo a polícia. Meu Deus a gente foi embora a pé andamos 40 kmts amanhecemos na estrada, chegando na fazenda demos de cara com o ex patrão este homem ficou louco xingando falando que achava que tava livre da gente que ele achava que nos indo embora levava também o resto da raça que tinha ficado la. Ai não teve outro jeito minha mãe foi num lugar chamado fundão da aldeia onde um compadre dela tinha mudado. Ela foi la contou o que tinha acontecido e então este compadre arrumou uma casinha pra gente no meio de um matagal e no mesmo dia ele foi buscar a nossa tralha. Chegando neste lugar eu trabalhava para um para outro. Um dia num sítio outro dia outro sitio capinar, arrancar feijão ,roçar pasto quebrar milho tudo. E um dia ficou ruim de serviço por perto e a mãe e meu irmão virava umas onças. E neste lugar tinha um cavalinho preto mansinho ele já era meio velhinho . Então eu eu peguei o cavalo arrumei minhas tralhas peguei enxada,foice enxadão cavadeira e fui o que eu encontrasse eu encarava nem que não quisesse eu tinha que encarar. E depois de andar muito já era umas 9.hs da manhã de longe eu vi um bando de gente arrancando feijão. E eu fui até la cheguei fiquei olhando só tinha homem não tinha nenhuma mulher. E nisso veio um senhor e perguntou o que você quer menina ? Eu disse eu quero trabalhar eu preciso trabalhar E ele disse eu não posso dar serviço para você menina . Olha ai só tem homem por isso eu não vou dar serviço pra você. Então eu em joelhei ao chão e pedi pelo amor de Deus para ele deixar eu trabalhar contei minha situação para ele e ele escutando, pensou um pouco e disse. Olha então dessa ali em baixo e começa de la vem de encontro com a turma. Eu morri de alegria e comecei peguei de empreita. Quando foi lá pela as 11. hs mais ou menos a mulher dele veio trazer almoço para ele e quando está mulher me viu nossa. Ela já disse o você não vai chamar a sua biscatinha para almoçar com você. Nossa este homem foi pra cima dela aos berros falando o porque ele tinha deixado eu trabalhar ele começou chorar e ela também. Ai ela me chamou e pediu pra mim ir ajudar ela na casa e não era para mim ficar ali não. Então eu fui ajudar ela nos a fazer da casa a tarde na hora de eu ir pra casa ela me deu um monte de coisas arroz, feijão, gordura, carne leite nossa fui embora feliz da vida. Trabalhei 29 dias na casa deles até acabar a colheita toda. Mas ai eu herdei o apelido de biscatinha do cavalo preto do fundão da aldeia. O apelido surgiu pelo os homens que trabalhava lá e viram a mulher me xingando. Ai foi neste lugar chamado fundão que eu conheci um senhor que eu nunca tinha visto na vida, era um sábado eu trabalhei até as 3.00 hrs da tarde roçando pasto estava morrendo de fome a gente tomava banho no rio cheguei correndo tomei banho e foi comer nisso meu irmão mandou eu passar uma calça preta e uma camisa azul e o ferro de passar roupa era a brasa até aquele ferro esquentar nossa demorou. Então esquentou o tal ferro e eu passei o que ele mandou e sentei para almoçar já era 4.00 hrs da tarde ,eu tinha ganhado um queijo e na hora que eu fui comer eu tomei um murro em cima do nariz que nem vi onde foi parar o pedaço de queijo e ele gritando que ele tinha mandado eu passar a calça preta e a camisa branca e não a azul. Eu sai correndo com o nariz sangrando e fui na casa de um vizinho longe cheguei la chorando e este senhor estava lá, ele olhou pra mim e falou nossa o que é isso e eu contei e então ele falou quer ir embora comigo. Na hora eu disse quero eu tinha 14 anos voltei pra casa e meu irmão tinha saído foi pra cidade com um amigo dele. A noite chegou e o homem ficou esperando a mãe foi dormir eu tinha ganhado 2 balas do homem coloquei em baixo do travesseiro da mãe e fui embora,num altura da estrada eu arrependi e tentei fugir do homem, mas ele correu me pegou e me levou e disse nem tenta,eu estava com medo dele e com medo de encontrar meu irmão na estrada. Ai fomos para casa de uma irmã dele chegamos lá de madrugada e a mulher arrumou uma cama no chão ele deitou e ela disse deita. E eu disse eu não nem com meu pai eu nunca dormi e eu não vou dormir com ele não e nem conheço e ela falou ué agora você é mulher dele você não fugiu com ele vai dormir ai sim? Nossa ali eu cai em prantos vi o tamanho da bobagem que eu tinha feito. Eu não deitei e ele queria me obrigar eu deitar com ele ai o marido da irmã dele levantou e disse menina vai dormir la na minha cama perto de mim ninguém vai obrigar você fazer o que você não quer e ele foi deitar lá com o homem e eu deitei com a mulher mas não dormi amanheci acordada pensando na besteira que eu tinha feito. O dia amanheceu e eu numa tristeza que só,chegou a hora de fazer o almoço a mulher pediu que eu fizesse o almoço para no e eu fiz,mas não almocei. Era 12.00 hrs mas ou menos eu vi meu irmão chegando o mesmo que tinha me batido um dia antes,mas ao ve-lo eu fiquei feliz achei que ele tinha ido me buscar. Ele estava a cavalo e com uma faca na cintura chegou e disse e agora cachorro vai ter que casar na marra . E eu disse casar não eu não quero. Quer sim disse ele. E fomos pra casa cheguei chorando de vergonha da mãe e falei mãe eu não dormi com o homem mãe eu não quero ficar com ele. Eu não sabia que mulher tinha que dormir com homem mãe,eu não deitei com ele. Minha mãe disse" não interessa se você dormiu com ele ou não você fugiu com ele então vai ficar com ele. Se minha vida já era um inferno imaginem depois Eu não queria ele,então ele fez uma casinha pau pique chão batido e minha mãe obrigou eu ir morar com ele. Então lá eu comecei apanhar dele,eu tinha nojo daquilo e todos os dias eu apanhava além de me bater ele cuspia no meu rosto. Trazia mulher de vida fácil pra dentro de casa eu tinha que tratar esta mulher como uma rainha ela vinha dormia em casa comia em casa e exigia o que ela queria comer e eu era obrigada a fazer tudo que eles pediam se eu não fizesse ele me batia na frente dessa mulher O nome dela era s Sônia conhecida por Soninha apanhei muitas vezes por causa dela. Eu estava grávida do meu primeiro filho ela derramou vinho no meu lençol eu reclamei e ele me bateu tanto perto dela tapa na cara chute murro nossa foi um horror. Nesta época minha mãe já tinha embora de lá aquele tempo era vergonhoso uma filha fugir de casa, minha mãe e meus irmãos foram embora pra cidade e me deixaram lá. Eu comecei trabalhar na lavoura plantava e o homem só aparecia na época da colheita , ele vendia tudo e sumia. Cada vez que ele chegava eu apanhava porque eu não queria ter relações sexuais com ele,meu filho nasceu e quando ele tinha quatro meses eu estava arando terra com os burros e meu filho amarado nas costas eu trabalhava com ele amarrado nas costas porque não tinha com quem deixar. Então eu arando terra para plantar milho e bateu o arado num toco e o cabo do arado bateu na minha barriga, e na hora deu hemorragia em mim eu ainda continuei trabalhando,mas a tarde eu não aguentava mais de tanta dor e a hemorragia aumentava mais e mais eu tirei os burros do arado fui pra casa e a dor só aumentando, ai veio um cara em casa atrás do meu marido fazer cobrança e o cara viu como eu estava, ele pegou eu e meu filho levou o menino la na casa da vó dele mãe do meu marido e eu ele levou para o hospital. Chegando no hospital fui atendida na hora com urgência e o médico me disse, Eu não quero te dar falsas esperança,mas o seu neném é bem capaz que não sobreviva. E eu assustada. Disse o que que neném ? E o médico disse sim neném sim você esta grávida e vai ter que ficar internada,porque estourou o colo do útero e a gente vai tentar salvar o bebe. Eu não acreditava eu chorando disse não estou gravida não Doutor eu tenho um bebê de quatro meses e estou amamentando não posso estar grávida e nem posso ficar aqui. Meu Deus não teve jeito tive que ficar internada e meu bebê como ia ficar o que ia acontecer com ele eu chorava ,eu não aguentava mais de tanta tristeza a hemorragia não parava e eu lá em desespero total. Fiquei 3 meses internada era uma menina ela estava com o bracinho quebrado o busto também quebrado,por causa da pancada do cabo do arado,e quando ela nasceu já estava com 7 meses se não fosse pela a quebradura ela tinha sobrevivido ele ainda ficou 2 dias na incubadora e ela faleceu e o pai não estava para fazer o enterro da filha. Então um filho de Deus fez o enterro da criança e eu votei pra casa meu filho já estava com 7 pra 8 meses e a luta continuou,mas um vez meu marido chegou da zona porquê ele só ficava lá mesmo e mais uma vez me bateu e mais uma vez eu fui obrigada a fazer o que eu não queria e 2 meses depois de novo eu com hemorragia voltei para o hospital estava grávida de novo fiquei mais um mês internada para segurar a criança mas não adiantou e eu perdi. Voltei pra casa meu marido estava lá e de novo ele veio tentar fazer o que ele era acostumado a fazer e eu peguei uma faca e ameacei ele,nisso minha mãe veio me visitar e pediu que eu fosse embora largasse dele e eu fui, não na casa dela,mas fui para uma outra cidade e quando ele chegou da zona eu não estava mais lá e ele foi atrás de mim. E eu disse você pode até ficar,mas nunca mais coloquei as mãos em mim aqui você é visita e por causa do menino você pode ficar e ele ficou. Eu trabalhava na boia fria e ele ficava o dia todo batendo rua não ia trabalhar e no fim de semana ele ia nos turmeiros que eu tinha trabalhado e recebia o dinheiro e gastava com os amigos dele. Ai eu falei pra todos os turmeiros que eu trabalhava para não pagar pra ele que ele gastava tudo e não dava o dinheiro em casa. Ai um dia ele veio pra cima de mim eu encarei ele e ele começou a quebrar tudo dentro de casa . Meu filho estava doente com pelo monia. E ele quebrou tudo que tinha de quebrar pegou uma foice e começou a cortar fogão armário,mesa tudo e eu tinha comprado tudo novo tinha dado só a primeira parcela e eu la fora só olhando o estrago. De repente ele foi pra banda do quarto onde estava o meu filho falando que ele ia matar o menino. Então eu peguei um pedaço de madeira e dei um grito com ele. HEI !!!! E ele virou com a foice levantada pra me acertar e eu dei uma cacetada nos braços dele com toda a minha força que a foice caiu das mãos dele meu ódio era tanto que eu continuei batendo só parei de bater porque eu achei que tinha matado ele. Ai fui pra casa da mãe de novo. Ai a historia foi a mesma do começo um pouco mais pior.. CONTINUA..

A TRAJETÓRIA!

Continuando a história. Depois que meu pai faleceu que a gente mudou para um lugar mais perto da escola para os meninos estudarem, era uma ...

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